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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Serpente de Aço


O EDIFÍCIO DE 160 M DE COMPRIMENTO REPOUSA EM UM CAMPO AO NORTE DO JAPÃO. CRIAÇÃO DOS JOVENS ARQUITETOS YUI E TAKAHARU TEZUKA, A OBRA RECEBEU UMA COMENDA DO INSTITUTO DE ARQUITETOS JAPONÊS EM 2005

POR GIOVANNY GEROLLA FOTOS KATSUHISA KIDA

Localizada nas montanhas de Matsunoyama, região do distrito de Niigata, Japão, muito conhecida por suas fortes nevascas, Kyororo é palco de atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências naturais. Toda a região é também famosa por sua linda floresta de faias japonesas, que conseguem crescer com muita força apesar de sofrerem com a neve excessiva.

Em meio à paisagem, há uma serpente metálica que, nos meses de janeiro, fevereiro e março, permanece oculta sob uma manta branca de neve. É o edifício do Museu de Ciências Naturais de Matsunoyama, cujos 1,5 mil m2 assumem uma forma curvilínea, uniforme e contínua.

O conceito desenvolvido pelo escritório Tezuka Architects oferece ao visitante do museu a oportunidade de experimentar pelo contato com a edificação todos os fenômenos naturais característicos da região. É como se o próprio espaço físico do museu fizesse parte da natureza local, sendo ele mesmo ambiente para pesquisa e exposição dessa realidade exterior.

Assim, a construção foi planejada tanto para receber uma base permanente de pesquisas como para conter espaços para exposições e abertos ao público. A maior ênfase dada ao projeto arquitetônico foi incorporar os aspectos climáticos e ambientais da região ao conceito.

Para tanto, o prédio foi desenhado como um tubo duplo. Seu corpo monocromático é feito de placas de aço corten de seis milímetros de espessura, soldadas e capazes de suportar a pressão de uma tonelada e meia por metro quadrado - como um submarino sob as águas do oceano. O comprimento total do edifício é de 160 m.

A aparência da capa, resistente às intempéries, muda com o passar do tempo. Seis meses após a soldagem das placas, feita in loco, o corpo do prédio já apresentava uma cor marrom intensa e característica da ação do tempo sobre o metal. "Visto pelo outro lado do vale, o edifício parece mais uma ruína Inca, com sua enorme torre dominando o topo das árvores", descreve Takaharu Tezuka.

A estrutura do prédio é metálica e está preparada para suportar contrações e dilatações de até 20 cm em função da variação das temperaturas entre verão e inverno. As grandes placas metálicas que constituem a fachada também têm função estrutural, mas não foram suficientes para atender aos requisitos de cálculo estrutural: no inverno, as montanhas de neve podem ultrapassar sete metros de altura, o que exigiu uma estrutura superdimensionada para suportar cargas de até duas mil toneladas.

Como resultado, vigas e colunas metálicas carregam o peso do edifício e estão preparadas para suportar toda a neve que vai soterrá-lo nos meses mais frios de inverno. "Tivemos também de considerar o fator terremoto", lembra Tezuka. Assim, as paredes metálicas contribuem para a estabilidade do prédio, atuando como um reforço estrutural.

Em seção cruzada pendente (inclinada), a estrutura foi inspirada nos sheds de proteção encontrados nas estradas dos arredores. Já o plano horizontal segue o contorno das trilhas que circundam toda a área e abrem caminho aos carros e pedestres.

No inverno, os visitantes são conduzidos por altas paredes de neve e entram por um peculiar túnel que os protege contra a temperatura congelante de Kyororo. A amplitude do eixo interno e principal do edifício reflete o movimento de pessoas, promovendo grandes espaços em ângulos de onde os visitantes param para observar a natureza. À medida que se adentra o museu, esses ângulos tornam-se cada vez mais estreitos.

Outro ponto central na concepção arquitetônica são as quatro janelas panorâmicas, transparências que se estendem do piso ao forro, dispostas em posições angulares e estratégicas do edifício. A maior delas tem 14,5 m x 4 m e pesa quase quatro toneladas. O peso das quatro soma dez toneladas, e delas os visitantes podem admirar, como que em corte subterrâneo, a vida sob a neve.

Para suportar a pressão da neve e dar ao edifício uma isolação apropriada, todas as janelas são de acrílico, com espessuras que variaram entre 55 mm e 75 mm. Esse forte material tem 98% de transparência, o que aumentou a integração entre ambientes internos e externos.

"O acrílico foi o único material que encontramos para resistir à pressão de 1,5 tonelada por metro quadrado sobre as janelas", revela o arquiteto.

Ainda para ajustar a trabalhabilidade da fachada metálica às suas junções com as janelas acrílicas, optou-se por deixar uma folga de 100 mm entre o metal e o acrílico, permitindo os movimentos de dilatação e contração.

No verão, as grandes transparências que mostravam cortes do mundo sob a neve passam a exibir o maravilhoso cenário das faias japonesas e grandes áreas de cultivo de arroz. Da torre do museu, com 34 m de altura, os visitantes apreciam a magnífica vista sobre os arvoredos das três montanhas de Echigo.



Maquete de Estudo

Vista Lateral

Serpente de Aço no Inverno

Serpente de Aço no Inverno


Serpente de Aço durante o processo de construção - Inverno rigoroso de 2002

Serpente de Aço durante o processo de construção - Inverno rigoroso de 2002

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Metrópole e a Vida Mental

Com o advento da vida moderna, o indivíduo passa a desejar uma autonomia e individualismo que faz de si mesmo um ser isolado. Isso parte da própria sociedade e de suas influências políticas, econômicas e sociais, permitindo ao homem assumir novas posturas, agregar novos valores e se lançar em novas possibilidades. A cidade reflete essa necessidade de autonomia e desejo das pessoas de serem donas de si, de assumirem seus próprios estilos, de se regerem por leis próprias; o mercado é reflexo da necessidade de individualismo do homem, de sua necessidade de ser peculiar, de ter identidade.

Mas é importante destacar que esse aspecto não é uniforme em todas as cidades, pois ainda nota-se a diferença entre as grandes e pequenas cidades no que se refere principalmente às relações pessoais e à vida cotidiana. Ao passo que nas cidades pequenas as pessoas tendem a manter “relacionamentos profundamente sentidos e emocionais”, o homem metropolitano desenvolve suas atividades corriqueiras com o máximo de proteção em relação ao outro, através de atitudes racionais ao invés de afetivas.

Esse medo do desconhecido que afeta as grandes cidades reflete-se inclusive nas atividades de consumo. A metrópole moderna vai ser impulsionada por uma produção e por um mercado que condiciona os compradores e vendedores ao anonimato, pois nunca terão contato visual. É o que acontece nas compras virtuais, por exemplo. É uma tendência que cresce cada vez mais, muitas vezes por questões de rapidez e facilidade nesse processo, e que ambos não precisam temer falhas nas relações pessoais.

Qualquer atitude brusca, rápidas mudanças ou excessiva pressão pode gerar o que o texto de Zimmel chama de atitude blasé. Nesse contexto entra a questão do julgamento pela aparência e pela nítida discriminação. Não existe relação emocional ou íntima nesse caso, as relações são puramente racionais, onde o outro é tratado com indiferença. No curta metragem Ângelo anda sumido, o personagem principal ora é lançado à marginalidade devido às suas atitudes de baderna, ora é tido como confiável, pois apresenta boa aparência física. O dinheiro entra então como o dominador dos valores, “arranca irreparavelmente a essência das coisas, sua individualidade, seu valor específico e sua imcomparabilidade”.

Esse estranhamento entre as pessoas é típico das cidades metropolitanas, pois para Zimmel poderia se chegar a um estado psíquico inimaginável se as relações pessoais nessas cidades fossem tão estreitas quanto o é nas cidades pequenas. O confinamento das pessoas é tão intenso, o homem torna-se tão isolado e envolto por grades e elevada proteção que é típico nessas cidades não se conhecer os próprios vizinhos ou criar desconfiança para com eles a fim de garantir a privacidade e o individualismo tão almejado. Mas essa reserva confere aos indivíduos uma liberdade pessoal, que não é possível ter em outras circunstâncias. Numa cidade pequena tal liberdade fica limitada ao passo que se conhece quase todos que se encontra. Nada que for feito nesse espaço passará despercebido.

Com o aumento populacional e a conseqüente diminuição dos espaços de vivência, ganha-se proximidade física mas perde-se em relação pessoal, o que soa um tanto contraditório. A cidade tornou-se um organismo complexo capaz de agregar, absorver e suportar uma gama de diversidade. Mas tornou-se também o local mais propício para a solidão. “Em nenhum lugar se sente tão solitário e perdido quanto na multidão metropolitana”. Ao passo que se confronta o tamanho dos espaços de vivência e o número de usuários desse mesmo local, ou mesmo quando se confronta a necessidade de aumentar os círculos de relacionamento e a necessidade de liberdade pessoal, percebe-se que a própria sociedade condicionou à metrópole a ser o local da liberdade e do individualismo.


Camila Renata de Figueiroa Queiroz, 30 de abril de 2011, Resumo do Texto "A Metrópole e a Vida Mental", de George Zimmel. Sociologia Urbana

Farol Fastnet - Irlanda

Esse é o farol de Fastnet, na Irlanda.




Para a disciplina de Perspectiva, no 3º Período do Curso foi exigido a modelagem de um farol qualquer. Minha escolha foi o Farol de Fastnet, apesar de poucas informações sobre ele disponível na internet, o que era importante pois eu precisava de medidas, para que o modelo final ficasse na proporção certa. Mesmo sem as medidas reais, o resultado final me agradou. Foi um trabalho fruto de muitas experimentações. O resultado da modelagem está aí pra vcs verem! Espero que gostem.



Não deixem de opinar! Bjs










sábado, 16 de abril de 2011

Richard Serra: o escultor de espaços


Richard Serra é um dos escultores em metal mais significativos e importantes da atualidade. Famoso por suas peças de metal gigantescas, objetos espantosos devido ao seu peso e opacidade.

Um artista que dialoga com o espaço e brinca com a noção do tempo. Com suas obras monumentais nos convida a participar de sua viagem por uma cidade, um labirinto, uma casa sem tetos, ou por onde mais a sua imaginação e as suas sensações te levarem.

Richard Serra é um homem de olhar atento e mãos pequenas e inquietas. Bastante inquietas. Pois é com gestos, mais do que com palavras, que ele descreve seu trabalho.


BIOGRAFIA

Richard Serra nasceu na Califórnia em 1939.Emergiu no circuito artístico de Nova Iorque seguindo influências da Arte Povera e do Minimalismo o qual faziam parte Donald Judd, Robert Morris e Frank Stella.

Richard Serra, nasceu em 1939 nos EUA e começa sua carreira produzindo telas expressionistas na faculdade, mas logo foge para a escultura. A abstração parece ser o grande ponto desse artista que em vários momentos de sua carreira explodiu em raiva, brigas, discussões e decisões judiciais em defesa do que acredita.

Conhecido no meio das artes por ser altamente controverso, orgulhoso, briguento Richard Serra possui uma opinião sobre o fato de ser artista que considero um dos maiores, senão o maior incentivo para fazer arte. No programa de entrevistas do americano Charlie Rose, Serra uma vez comentou que sabe desenhar melhor que um arquiteto, e isto é uma das atribuições para que ele seja considerado artista e Frank Gehry, não. Serra não tinha qualquer desavença com Gehry, eram até amigos próximos. Falando isso, Serra quis dizer que trabalhos de arte são “intencionalmente inúteis, que suas significações são poéticas, internas”, enquanto o trabalho do arquiteto tem de ser transposto de acordo com as necessidades do cliente e das utilidades da construção, por mais escultural que seja o exterior. Não tendo assim o arquiteto a “obrigação” de saber desenhar, utilizar tintas, ou de fato ter de trabalhar com a obra de forma “manufatural”. Ele entende que suas idéias não têm de obedecer às demandas de um mercado extremamente ligado as tendências e decisões alheias.

Na década de 60, quando se aperfeiçoava como pintor na Europa, Serra ficou fascinado diante de As Meninas de Velázquez, pela maneira que o artista relacionou o espectador e os personagens retratados por ele em 1656. O escultor também queria envolver o observador diretamente no seu trabalho e, achando que não poderia fazer isso em duas dimensões, decidiu abandonar a pintura e tornar-se escultor. Serra diz ter renunciado da pintura abstrata após ter visto de perto o famoso As Meninas, de Velázquez, julgando-se incapaz de produzir algo de tamanha beleza.

Após voltar de uma temporada na Europa na segunda metade da década de 1960, Serra mergulha na onda do minimalismo e da desconstrução em que os artistas como Carl Andre, Donald Judd e reminiscências da influencia de Mondrian produziam. A escultura parecia encontrar a abstração em ângulos retos, tecnológicos, limpos e em muitas ocasiões, nada mais que experimentais.


Logo após começa a trabalhar com o aço e a perceber a força e estabilidade que este material proporciona, placas de aço com diferentes comprimentos e alturas aplicadas ao meio urbano ou rural, mudando a percepção do local e do transeunte.


Nesta mesma época iniciou experiências com combinações invulgares de materiais e técnicas (como borracha,metais e lâmpadas).


AUTOR E OBRA

Em 1970, conseguiu o equilíbrio exato entre as placas de aço,apoiadas entre si sem a ajuda de um suporte externo, o que permitiu a transição para uma concepção da escultura cujas possibilidades combinatórias ainda são experimentadas na atualidade.

As proporções das esculturas de Serra chegam a amedrontar quando se que não há nada para sustentá-las além do que, para leigos em física, é um equilíbrio incompreensível.


Peças que pesam toneladas e possuem autossustentação (algo defendido desde sempre por Serra como uma condição para a criação destas obras). Não há pregos, amarras ao chão, fundações ou outros meios para manter as esculturas estáveis. Apenas a gravidade aplicada à massa do aço somados a cálculos precisos fazem tais estruturas manterem-se em pé,

muitas vezes sendo curvadas e inclinadas em ângulos surpreendentes.


Suas esculturas encontram-se em cidades como Nova Iorque,Paris e Londres. Uma das características do trabalho de Serra é que suas esculturas são concebidas tendo em mente já um local específico; ele define um espaço na paisagem, sendo a escultura não apenas o objeto em si, mas a sua localização e as relações que define com o meio, urbano ou não.


Desde a década de 70 que as obras de arte de Richard Serra expostas em público, a maioria delas grandes estruturas de aço,contribuíram para alterar a percepção que o espectador tem do espaço. Todas as suas esculturas refletem uma preocupação pelo que pode ser verdadeiramente experimentado e observado: algumas revelam o processo da sua produção, outras esclarecem aspectos das suas propriedades físicas e outras ainda redefinem a natureza do espaço que ocupam.


Com o objetivo de envolver o espectador com sua obra, Serra não só provocou uma nova forma de interação com a escultura, como tamm ampliou as fronteiras e a definição dessa arte. O centro de gravidade e o equilíbrio, a massa e o vazio, a perceão do espaço e a consciência corporal por parte do espectador constituem os temas sicos de sua obra, que elabora com blocos sobre dimensionados e pranchas de aço.

As obras do escultor têm relevância inclusive entre arquitetos,que ressaltam a sua importância como um dos mais instigantes críticos de arquitetura da atualidade. Seu trabalho confronta o indeterminado, a insatisfação. Arquiteto às avessas, Serra força os limites do espaço e investe na sua transformação, dando nova vibração à presença do homem no mundo. Sua contribuição inegável à arquitetura está fundamentalmente em não aceita-la como um “continente isolado”, mas tomá-la como um lugar onde o artista atua para estruturar espaços, explorando novas possibilidades e direções. Por princípio, portanto, uma intervenção de Serra é em si mesma um desafio e uma crítica à arquitetura.


O próprio artista reforça que sua obra, para ser compreendida, não exige conhecimento prévio sobre a história da arte ou da escultura:

“O que sente aquele que entra nas minhas estruturas é o tema delas. O que me interessam são as sensações que ocorrem ali dentro, mais do que o efeito estético do conjunto”.



TILTED ARC



Em 1987, expôs na Federal Plaza em Nova Iorque o seu TiltedArc (Arco Inclinado), uma placa de metal curva de 3,6 metros de altura, cujo aspecto variava segundo as condições meteorológicas,que suscitou uma viva polêmica e foi retirada do local após mobilização dos habitantes (de uma área nobre de Nova Iorque) que consideravam a escultura ofensiva, alegando razões surrealistas para fazer o trabalho de demolição, desde a possibilidade de favorecer acúmulo de detritos até ser usada como escudo por terroristas. Além de que, muitos não gostavam do paredão de aço, achavam intimidadora, achavam que ia cair a qualquer momento, mas esse estranhamento era esperado. Diziam que a demolição era necessária pois a obra favorecia uma possível proliferação de ratos e era inútil por desabilitar o local para eventos públicos.


Serra afirmou que a escultura tinha sido concebida especificamente para o local e que a sua remoção era equivalente a destruí-la. Em 1989, a peça foi desmantelada e depositada, fragmentada, num ferro-velho.


É possível afirmar ainda que as obras ou instalações Site Specific remetem à noção de arte pública, que designa, em seu sentido corrente, a arte realizada fora dos espaços tradicionalmente dedicados a ela, os museus e galerias. A ideia que se trata de arte fisicamente acessível, que modifica a paisagem circundante, de modo permanente ou temporário. Algumas obras de Richard Serra (1939) que exploram a relação com o ambiente, sobretudo pela intervenção no espaço urbano, são por ele mesmo definidas como Site Specific, por exemplo o

Tilted Arc.
Ou seja, a nova justificativa do Site Specific é de uma arte capaz de ocupar um espaço determinado no entorno urbano e fazer deste espaço um elemento tão importante para a obra como a própria matéria utilizada. Algo como um desenvolvimento do problema sobre o vazio na escultura moderna, isto é, o espaço circundante, assim como o espaço oco da escultura é algo que está contido na obra, não pode ser separado dela em absoluto.
Quando foi deliberado que deveriam retirar a obra de lá, Serra e os artistas fizeram alarde. Retirar a obra significava desmembrá-la, separar a peça de aço do espaço que ocupava era um sacrilégio artístico. Era amputar a obra de arte, era acabar com sua especificidade espacial. Estes foram os justos argumentos, mas nada impediu que o Arco fosse retirado. Tais argumentos eram por demais complexos para convencer os advogados e o público em geral. Tudo demasiadamente artístico, demasiadamente inefável para ser compreendido de forma direta e superficial. Este é o raciocínio do Site Specific, sua singularidade espacial, sua relação estreita com o lugar que ocupa.


THE MATTER OF TIME


The Matter of time é uma série composta por oito esculturas: Torqued Spiral (Closed Open), 2003; Torqued Ellipse, 2003-04;Double Torqued Ellipse, 2003-04; Snake 1994-97; Torqued Spiral(Right Left), 2003-04; Torqued Spiral (Open Left Closed Right), 2003-04; Between the Torus and the Sphere, 2003-05 e Blind SpotReversed, 2003-05.

O conjunto desta obra pesa cerca de 1200 toneladas, tem mais de 430 pés de comprimento e foi criada pelo escultor para o Museu Guggenheim de Bilbao.

As esculturas em aço de grande escala, que compõem essaobra, erguem-se como muros, labirintos. Para se visitar uma escultura de Serra é preciso entrar nela, entrar fisicamente, interagir,sentir a textura, o frio do metal, elas são uma espécie de cidade, de retorno da cidade. É preciso se perder nelas, perder-se para elas, se entregar as sensações, aos sentimentos que elas despertam.

A experiência do espectador, medida em tempo e movimento durante seu trajeto por maciças e sinuosas paredes de aço laminado,é um aspecto essencial na obra criada pelo escultor. O sentido desta criação é ativado pelo ritmo do movimento de cada espectador.

Este conjunto de esculturas se baseia na idéia de temporalidade múltipla, de tempos que se sobrepõem. A duração da experiência de uma peça é diferente à da outra. Por um lado a experiência é interna, privada, psicológica e estética, e de outro, é externa, social e pública. O espectador mergulha em uma viagem,cujas descobertas dependem de sua vontade de investir seu tempo e deixar que suas memórias se fundem na percepção.

Ambas as criações de Serra nos instigam, nos provocam, nos fazem querer ser parte da obra. Andando, caminhando, correndo,tocando, sentindo, olhando, admirando, se permitindo esse tempo,essa brincadeira de se perder e se achar, nessa e para essa sociedade voraz que escolhemos viver.


WALKING IS MEASURING



Esta é uma obra de Arte Pública que ficará permanentemente instalada no Parque de Serralves e, no seu gênero, é a primeira deste artista norte-americano a ser instalada na Península Ibérica.

Richard Serra explica a obra que projectou para o Parque de Serralves, Cidade do Porto, Portugal:

A escultura “Walking is Measuring” (“Andar é Medir”) está instalada num caminho entre uma fila de árvores e o antigo muro que rodeia o terreno do Museu de Serralves, separando-o da cidade. Esse caminho é um dos poucos locais que não foram alterados pela construção do novo museu e mantém o seu caráter original. O muro de pedra eleva-se a uma altura que vai de 3,5 metros a 5,5 metros ao longo de uma distância de várias centenas de metros. A escultura é composta por dois elementos de aço que têm a mesma altura do muro no seu ponto mais baixo e no mais alto. A placa de aço instalada junto ao ponto mais alto do muro é igual à altura deste, alinhando-se igualmente com a cota mais alta do novo museu. Este alinhamento torna óbvia a relação do velho muro com o museu, estabelecendo deste modo a percepção de escala para todo o contexto. A escultura mede a continuidade espacial do caminho e introduz a escala humana, quando quem o percorre se coloca em relação aos elementos da escultura que servem de medida para todo o contexto. Um bloco de aço perpendicular ao caminho é instalado junto à entrada do museu, que se eleva a uma altura de 5,5 m, igual à altura do muro nesse local. O outro elemento eleva-se a uma altura de 3,5 metros, e é igual à altura do muro do lado oposto do caminho. Ambos os elementos têm 2,5 m de largura e 15 cm de espessura. A seleção deste local deveu-se à intimidade e sensibilidade do velho caminho – uma passagem formada por pedras e árvores onde o construído pelo homem e a natureza se apóiam, complementam e enriquecem reciprocamente. Com a construção do novo museu, perdeu-se a função do caminho, o local foi marginalizado. O objetivo desta escultura é restaurar essa função e devolver ao público a privacidade e a intimidade do caminho histórico".( Richard Serra, Outubro 1999)


CONCLUSÃO

Richard Serra é o maior artista da atualidade. E isso por motivos precisos. Antes de tudo, por ser um dos poucos que ainda acreditam na arte como possibilidade de experiências diferenciadas, uma aventura que nos faça vislumbrar novas relações e um mundo ordenado de maneira menos impositiva. Suas obras têm força e imponência, ainda que essas características se devam a uma instabilidade estrutural, a um equilíbrio constantemente adiado, tanto no que diz respeito à forma de seus trabalhos quanto à sua relação com o lugar em que se instalam.

Richard Serra costuma afirmar que o que lhe interessa "é a possibilidade de todos nós nos transformarmos em algo diferente do que somos, por meio da construção de espaços que contribuam para a experiência de quem somos". E realmente é esse jogo entre generosidade e realismo que preside o seu projeto. Ele coloca a arte moderna num novo patamar, e essa é uma das razões de sua obra ter a importância que tem.

sábado, 26 de março de 2011

A Arquitetura e Projeto Arquitetônico: conceito e finalidades

Arquitetura é a técnica de criação de espaços que reúnam arte e cidade de forma funcional e harmoniosa. No processo de criação deste espaço, a arquitetura se propõe a organizá-lo, defini-lo e ordená-lo para determinada função. Ao envolver criação, a arquitetura revela-se arte, pois com esta consegue-se expressar um pensamento, uma idéia, um sentimento e uma concepção em algo concreto, que pode ser vivido. Ao revelar-se envolvida com a cidade, a arquitetura se propõe a ser inserida em um meio e que por isso exige agenciamento, organização, estética, valores, entre outros.

Para Lucio Costa: “Pode-se então definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa”.

Nessa definição, ressalta-se a importância da arquitetura ser vinculada às necessidades de seus usuários – conseguindo expressar seus aspectos culturais, artísticos e expressivos – e às necessidades da cidade – através da preservação da vivencia do espaço urbano.

A finalidade da arquitetura é proporcionar melhores condições de vida para os usuários do ambiente projetado, através da criação de espaços funcionais, ergonômicos e termicamente agradáveis. Além disso, é importante que o objetivo final do processo arquitetônico seja a criação de espaços que permitam a vivencia entre as pessoas, que as integre ao meio e que as façam entender que são parte integrante da cidade e da sociedade.

O Projeto Arquitetônico é a materialização da idéia, do espaço imaginado, é a representação da concepção projetual. Através do projeto arquitetônico se estuda a melhor maneira de atender as necessidades dos usuários e tende-se a resolver todos os problemas envolvidos nesse processo. A finalidade do projeto arquitetônico é antever possíveis dificuldades de execução do projeto proposto e garantir que a obra saia como planejada.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Roteiro para construir no Nordeste

Fichamento a partir do livro:

Roteiro para construir no Nordeste - Arquitetura como lugar ameno nos trópicos ensolarados

Universidade Federal de Pernambuco – Mestrado de Desenvolvimento Urbano

Recife – 1976

O Arquiteto assume a responsabilidade, como profissional, de criar ambientes variados para as variadas atividades humanas. E no processo de criação de tais ambientes, o arquiteto se vê diante de muitos problemas. Com a conclusão do projeto, uma série de soluções arquitetônicas foram tomadas para a execução do mesmo.

No Nordeste, em particular, essas soluções arquitetônicas precisam ser ainda mais “mastigadas”. Isso porque existe uma infinidade de fatores determinantes para a execução de um bom projeto: deve-se analisar a presença da natureza ímpar do nordeste, a insolação tão abundante, o seu clima característico.

A seguir, destaco o que encontrei de mais importante no Roteiro para construir no Nordeste, criando, como o título sugere, uma espécie de roteiro que deve ser seguido no processo de criação arquitetônica na região Nordeste.

1. Crie sombra! Torne-a um abrigo do sol e das chuvas, ao mesmo tempo em que a brisa pode circular, retirar o calor e a umidade e criar um ambiente em que se pode respirar bem. Áreas sombreadas são como filtros, suavizando a luz solar antes que esta entre no ambiente.

2. Recue as paredes! Isso irá protegê-las do sol, da chuva, do calor e da umidade. As paredes recuadas geram terraços, varandas e jardins sombreados, onde se pode ter facilmente o contato entre o interior e o exterior.

3. Evite a arquitetura de volumes puros e explore a longa projeção e o lugar abrigado, sombreado e aberto! Torne a arquitetura uma experiência humana de relação entre o natural e o artificial.

4. Tire proveito dos elementos vazados! Se dispostos corretamente em função da orientação do sol e dos ventos, eles deixam a brisa entrar e filtram a luz.

5. Aberturas devem ser projetadas para permanecerem abertas! Para isso, identifique o caminho do sol durante todo o ano e proteja as aberturas externas com projeções e quebras-sol.

6. Evite fachadas envidraçadas desprotegidas! Estas terão que se proteger do sol por meio de cortinas, negando a função inicial – contato visual com o exterior.

7. Atenção para as portas! Elas devem se adequar a situação e ao local que ocupam. Podem ser objeto atrativo e convidativo entre o ambiente coletivo e individual; podem trazer privacidade; podem ser versáteis, onde ao mesmo tempo que protejem os ambientes permitem a passagem do ar.

8. Crie espaços fluidos, livres, contínuos! Separe apenas os que recomendam privacidade e atividades reclusas. Quando possível, solte as paredes do teto, gerando permeabilidade visual e melhor ventilação.

9. Crie ambientes que sejam retratos do modo de vida de seus usuários! Para se viver bem é necessário um ambiente agradável.

10. Desenvolva componentes padronizados mas com amplas possibilidades combinatórias. Isso traz harmonia para os espaços, racionalização e padronização para a construção, facilidade no processo construtivo e redução nos custos da obra.

11. Intervenha na natureza com equilíbrio! Ao invés de destruir, integre a edificação com a vegetação e com os elementos naturais do entorno.

12. Faça uma arquitetura genuinamente brasileira! Utilize a arquitetura, como arte que ela é, para expressar sua cultura e seus valores com liberdade e espontaneidade.

13. “Trabalhemos no sentido de uma arquitetura sombreada, aberta, contínua, vigorosa, acolhedora e envolvente, que, ao nos colocar em harmonia com o ambiente tropical, nos incite a nele viver integralmente”.